O Nu nunca sai da Moda

Amigas e Amigos Naturistas,
Este blog inaugura junto com o ano de 2010, fundado por mim, Mara Freire, secretária da AGAL, com a colaboração dos meus amigos, Affonso e Miriam Alles, presidente e vice-presidente da Associação dos Amigos da Praia da Galheta.
Nosso objetivo é divulgar, orientar e esclarecer.
As fotografias postadas são de autoria, em sua maioria, de Mara Freire e Miriam Alles, com alguns outros colaboradores. Os textos enviados, por expressarem a opinião pessoal de quem os enviou, serão publicados se forem coerentes e interessantes.
Visitem a Galheta, Cuidem da Galheta. Ela é linda, assim nua.

domingo, 15 de agosto de 2010

"Beauty"

Exerto do livro "Beauty", do esteta inglês Roger Scruton, ainda não publicado em Língua Portuguesa:


"Quando nós falamos de um belo corpo humano, nós nos referimos à bela corporatura de

uma pessoa e não a um corpo considerado meramente como tal. Isso é evidente se nós

focalizarmos determinada parte, como o olho ou a boca. Você pode ver a boca meramente

como uma abertura, um orifício na carne pela qual coisas são engolidas e do qual coisas emergem.

Um cirurgião pode ver a boca dessa maneira ao tratar uma doença. Mas não é a maneira pela qual

vemos a boca quando estamos face a face com outra pessoa. Para nós, a boca não é uma abertura

pela qual os sons saem, mas uma coisa falante continuamente com o "Eu", cuja voz é. Beijar alguém

na boca não é pôr uma parte do corpo contra outra, mas tocar a outra pessoa no seu próprio interior.

Por isso o beijo é um compromisso - um movimento do próprio eu para com o outro, e uma

"convocação" do outro para a superfície do seu ser." (Oxford: Oxford University Press, 2009. p. 47-48.)
A fotografia acima foi-me gentilmente cedida pelo amigo Paulo Sérgio Rodrigues: 'Renato na Trilha da Galheta'.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Inverno, As Roupas, O Corpo

A Galheta esteve bastante deserta nestes dias. Algum avanço da maré, como em outras praias da ilha, e no mais, solidão, esta da qual a gente nunca se incomoda de andar junto: som das ondas, alguma gaivota ou outra ave, um cachorro passeando com um humano.
Em julho teve banho de mar. Lá no início do mês, dia quente, água nem tanto, mas sempre boa, sempre bem vinda. Agora, esperemos as amenidades de agosto, que venham. Um grupo de Fotografia de Natureza já nos avisou que fará uma trilha, aquela que sai lá da Barra da Lagoa, e enviarão fotos da mais bela paisagem da ilha, a Galheta Nua. Enquanto isto, seguimos vestidos, agasalhados mas com a alma sempre à vista, como manda o desejo.
No próximo post, que está bem próximo, pois ficarei mais assídua, falarei sobre o corpo, com a propriedade de algum filósofo a subscrever-me.
Abraços a todos e a todas e saudades da nossa natureza humana - nua.
Fotografia da minha querida Miriam.

domingo, 6 de junho de 2010

Dia Mundial do Meio Ambiente e Dia Mundial do Naturismo


05 de Junho  - Dia Mundial do Naturismo
O Dia Internacional do Naturismo foi estabelecido pela INF - Federação Internacional de Naturismo para incentivar a divulgação da filosofia naturista no mundo.
O Grupo Naturismo Capixaba estará reunido em Vitória para confraternizar e comemorar recebendo novos amigos que desejam conhecer a nossa filosofia.
Aproveitamos para parabenizar a toda a irmandade naturista brasileira.


05 de Junho -
Dia Mundial do Meio Ambiente
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972, marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano. Celebrado anualmente, desde então, no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente catalisa a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental.
Procure se informar sobre outras ações que poderá praticar para ajudar o nosso planeta Terra: diminuir os gastos com água, energia, emissão de gases nocivos, ajudando a separar o lixo produzido para a reciclagem, andar mais a pé, de bicicleta e de transporte coletivo, não sair com carros utilitários para ir ao trabalho transportando poucas pessoas.
Atualmente o chamado desenvolvimento sustentável é o único capaz de propiciar condições de preservar os recursos naturais e condições de vida saudável para as gerações futuras. Para que isto ocorra a educação ambiental tem uma importância extraordinária porque conscientiza e altera os padrões de comportamento do ser humano em relação à natureza. Segundo o conservacionista inglês Broad, 'Na educação, reside a única esperança de se evitar a total destruição da natureza'. Que ela possa ser portanto, implementada maciçamente, em todos os locais de forma a conscientizar a todas as pessoas porque a educação ambiental reveste-se no mais importante instrumento para a preservação da natureza.

Mensagem recebida do Grupo Naturismo Capixaba.
Obrigada, Amigos. União, Esperança e Ação, SEMPRE.

sábado, 10 de abril de 2010

A Primeira Nudez



Naquela manhã, refiz-me humana, renascida.
Reuniam-se em meu corpo a nudez festejada pela liberdade e o pudor recompensado.
A nudez vinha para mim associada aos sentimentos mais infantis, estar pura, sem pudores, despudorada, enfim, não precisava mais ser pejorativo. Estar nua era estar definitiva, como vim e como irei. Feita e desfeita do início.
Estar de roupa, ao contrário, sempre me parecera perfeito artíficie de sedução, pernas a mostrar quando se as cruza, um decote, colo bronzeado, curvas se insinuando por baixo da roupa. Tudo que se insinua não é , de fato. Finalmente, eu era. Ser sem nada, ser sem rótulos, a roupa, grande rótulo do humano. O homem faz –se humano quando nasce, e é sem roupas. Todo animal de roupa não passa de um ridículo. A roupa passa, então, a ser a simulação do que não somos. Nossas aspirações, desejos e frustrações. Nem por isso é má, e justamente por isso se faz boa. A roupa nos permite a paz de não mostrar. Mostrar é o conflito, é o enfrentamento, fim do adiamento. A nudez é como a luz que mostra. E a luz que tudo mostra é benigna, a luz fotográfica revela as imagens, nos deixa ver sem enganos. A roupa passa a ser nosso divã, cama de deitar e pedir para que as coisas sejam de outra forma. A fantasia de disfarçar tudo o que negamos e ressaltar tudo que mais amamos. Curvas, gorduras, contornos, barrigas, peles, tudo se esconde por baixo das roupas.
Mas na manhã em que tirei a roupa, não houve mais pudor, nem conflito, nem máscara, éramos eu e o sol, nenhum dizia ao outro o que fazer, estávamos na mesma condição, ao natural. A água fria e o sol quente davam a sensação da nudez da primeira vez (porque nudez não mais social, nudez pública reprovável, nudez assumida) uma idéia de que poderia andar nua para sempre, e em todo lugar. Que a roupa, como a casa e a árvore, só serviriam mais para me abrigar.
Galheta, aquela que contém, desfila seus ventos por meu corpo desde os primeiros sóis de primavera, até os últimos do inverno. E nos dias bravos, de humor absurdamente frios, esquentam meu casaco até que ele mesmo deseje sair.
O vento nos pêlos, o vento na barriga, o sol na cara, que criança sempre me sentirei nua...

Em cada um dos dois extremos, um quase istmo. Urubus de polegar opositor sobrevoando a pureza.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

História de Amor na Galheta


Tu queres ouvir uma história de amor?

Numa ilha há muitos e muitos anos, vivia um povo ligado à Natureza. Falavam a língua dos animais, das pedras e dos vegetais e todos viviam em harmonia. As árvores e as pedras se ofereciam para construir as casas e utensílios domésticos. Todos eram e viviam muito coloridos e alegres, e tocavam música com instrumentos musicais de sons maravilhosos. Pintavam suas peles e cabelos com pigmentos obtidos das sementes das frutas e dos minerais da própria terra. Sempre havia festas em agradecimento à Natureza, que aconteciam numa praia de águas límpidas e cristalinas.
Quando havia temporais ficavam felizes porque o ar e a terra eram purificados.
Toda manhã nas areias daquela praia a Leste, cantavam, dançavam, se amavam, e comiam frutas e sementes para reverenciar e agradecer a Natureza.
Neste lugar havia um dragão. Ele era verde. Soltava fogo, que ajudava no aquecimento no inverno e para cozinhar os alimentos. Protegia e brincava com as crianças, que escorregavam nas suas costas, ou se agarravam em suas escamas. E também voava, o que a todos maravilhava.
Numa manhã, após um grande temporal, surgiu próximo à praia um objeto muito estranho. Seria outro dragão? Era um objeto enorme, feito de pedaços de galhos amarrados com cipó. Por isso deram o nome de Galheta àquele “barco” estranho.
Dentro dele havia outras pessoas, de pele branca e cabelos claros, diferente da cor da pele e dos cabelos das pessoas daquela ilha. E usavam roupas, que não conheciam. E falavam outra língua.
Vieram do céu? Vieram do mar? Vieram de onde? Que seria aquilo?
As pessoas da “galheta” gritavam e gesticulavam, e os nativos não compreendiam o que se passava.
Os velhos pediram silêncio e pelos gestos compreenderam que estavam perdidos. A tempestade os havia arrastado para aquele lugar e estavam encalhados, não podiam seguir viagem.
Imediatamente todos se mobilizaram. Cavalos, golfinhos, bois e cipós se ofereceram para ajudar. Chamaram a maré, as ondas do mar e o vento. A maré subiu e o vento provocou uma onda grande e suave para formar um buraco a fim de que o barco novamente pudesse flutuar.
As pessoas da “galheta” nunca haviam visto gente tão livre e tão feliz. Todos viviam nus, muito coloridos e só se protegiam do frio com o calor do fogo do dragão.

Junto ao barco ajudando estava um casal apaixonado, Íris e Arcon.
Quando o barco novamente flutuou, se deram conta que não dava mais pé. Arcon ficou preso à embarcação, enredado nos cipós que haviam usado para puxar com os bois e os cavalos.
O barco foi se afastando e só então Iris percebeu que Arcon estava com seus pés presos nos cipós e era arrastado pelo movimento do barco. Desesperada ela gritava para a “galheta” parar, mas os que estavam a bordo não compreenderam. Depois de muita luta, ele conseguiu se livrar, mas foi para o fundo do mar e o barco seguiu viagem. Os da praia não conheciam o fundo do mar e não sabiam como resgatar Arcon.
Todos choraram muito a separação dos dois amantes. As pessoas, as plantas, as árvores, os animais e as pedras. O céu chorou tanto que caiu uma enorme tempestade, a maior de todas. Das lágrimas do céu surgiu uma grande lagoa. A terra tremeu tanto de tristeza que houve um grande terremoto, surgindo então uma montanha entre o mar e a lagoa. Mas todos permaneceram na praia esperando Arcon, que não mais retornou.
Íris pediu aos peixes e às ondas que a levassem para se encontrar com Arcon. Foi levada e lá ficou. Os peixes e as gaivotas passaram então a levar alimentos para o casal.
A Natureza lhes fez então uma homenagem. As pedras à esquerda da praia da Galheta se transformaram e a partir de então se pode ver Arcon abraçando Íris, e quando a maré baixa pode-se ver os seus cabelos verdes. Sempre está ali um casal de gaivotas.
À direita, onde é a praia Mole, está o dragão, com a sua cabeça repousando no mar, na ponta do Gravatá, e sua cauda em direção à Lagoa da Conceição.
A partir de então, nas chuvas de tarde de verão pode-se ver o Arco-Íris brilhando no céu.
Assim Néria contou e Reynaldo transcreveu.

Coisas que Toda Mulher Naturista Deve Saber

Ainda a respeito do comentário mais que oportuno do José rezende Jr., percebam que este blog tem somente quatro seguidoras mulheres...
Uma vez, estava com meu marido na belíssima Praia da Galheta. Poderia contar semelhante episódio ocorrido na Praia do Pinho, ou em outras praias do Brasil, mas falarei de minha praia.
João saiu para correr. Eu fiquei deitada embaixo do guarda sol, esticada. Quando sentei para ver um pouco o mar, percebi movimento à minha direita, uns três ou quatro metros para trás. Com alguma surpresa, mas não muita, percebi o que chamamos de 'masturbador', já em franca atividade de auto-prazer, aproveitando-se do que ele pensava, ou ser uma vítima incauta, ou uma 'vadia' nua, ou apenas porque deixou sua parte bicho dominar sua pequena parcela 'homem'. Vejam, até um bicho seguiria seu instinto, mas sem ignorar a parte 'côrte'.
Uma mulher sozinha deve preferir ficar próxima de outras pessoas. Não só a nudez, mas também o fato de se manter afastada, instiga este tipo de ato.
Eu tive vários sentidos ativados: raiva. Como se eu estivesse à disposição do tal sujeito para...
Senti-me nua ('E viram que estavam nus...').
Finalmente assumi o que era, uma naturista, cidadã, mulher adulta, autônoma e independente, amparada pela lei e, claro, pela presença um tanto próxima de outros banhistas. Todos ouviram meu discurso aos brados: "Mas o que é que o Senhor está pensando? Desconhece então as normas do naturismo? Pensa em desafogar-se, pois vá fazê-lo em sua casa, em seu banheiro! Tem família? Gostaria de tal ato à frente de sua mãe nua, de sua irmã? Tem esposa? Retire-se daqui ou chamarei a polícia para si!
João chegou a tempo de vê-lo retirar-se com o rabo imaginário entre as pernas.
Claro que o sangue me fervia às veias, mas fui me acalmando e esperando que ninguém deixe impune o assédio descarado. Todo mundo, em qualquer praia, tem o direito de paquerar. O problema é a violência do ato.

domingo, 14 de março de 2010

Mulheres Naturistas




No blog 'Peladista',
http://peladista.blogspot.com
Temos o justo comentário da Ariana, 'Onde estão as Mulheres Naturistas?'
Pois bem, já há respostas lá no 'peladista'. De homens.
Como Mulher Naturista, e já tirando a roupa e o rótulo, pois tudo o que sou é 'humana', digo que as mulheres são mais recatadas porque são mais atacadas, mais censuradas, mais cobradas. A mulher naturista está em todas as praias, sim, sempre em minoria. A mulher naturista é corajosa, forte, mas se expõe com alguma cautela. Na trilha, quem corre o risco de estupro são as mulheres, e todos sabemos disto. Vamos lá, sem panos quentes.
Em outra e outras ocasiões escreverei sobre tudo aquilo que é maravilhoso no naturismo e no fato de tirar a roupa.
Sou publicitária e fotógrafa profissional e não tenho vergonha de dizer a quem quer que seja: 'Sim, era eu dando aquela entrevista'. Ou, 'Sim, era eu na foto'.
Quando saiu foto minha na FSP, em pleno domingo de 2003 (e olha, não tenho mais 20, 30 anos..) recebi centenas de emails. Todos de homens. Os homens simplesmente pesquisam e descobrem sua localização. Daquele tempo, guardo curiosidades: muitas pessoas educadas, abertas, esclarecidas. A maioria escrevia: 'E aí, poderia me enviar umas fotos pelada...?'
Isso sem contar na Playboy ligando, fazendo propostas Photoshopeiras... Mas isso já é outra história...
Abraços a todos e a todas.
O crédito das fotografias: Mara Freire e João Batista Freire.