"Quando nós falamos de um belo corpo humano, nós nos referimos à bela corporatura de
uma pessoa e não a um corpo considerado meramente como tal. Isso é evidente se nós
focalizarmos determinada parte, como o olho ou a boca. Você pode ver a boca meramente
como uma abertura, um orifício na carne pela qual coisas são engolidas e do qual coisas emergem.
Um cirurgião pode ver a boca dessa maneira ao tratar uma doença. Mas não é a maneira pela qual
vemos a boca quando estamos face a face com outra pessoa. Para nós, a boca não é uma abertura
pela qual os sons saem, mas uma coisa falante continuamente com o "Eu", cuja voz é. Beijar alguém
na boca não é pôr uma parte do corpo contra outra, mas tocar a outra pessoa no seu próprio interior.
Por isso o beijo é um compromisso - um movimento do próprio eu para com o outro, e uma
"convocação" do outro para a superfície do seu ser." (Oxford: Oxford University Press, 2009. p. 47-48.)

A fotografia acima foi-me gentilmente cedida pelo amigo Paulo Sérgio Rodrigues: 'Renato na Trilha da Galheta'.
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